Conheça o dicionário do rally

Para quem não vive ou acompanha o mundo off-road, às vezes, é difícil conversar diretamente com pilotos, navegadores e integrantes das equipes de apoio e entender tudo.
Fonte: Can-Am Tours

Deninho Casarini acelerando seu Can-Am Maverick  / Crédito: Gustavo Epifanio

Deninho Casarini acelerando seu Can-Am Maverick / Crédito: Gustavo Epifanio

Termos específicos como coelhos e “curecas” são frequentemente utilizados, mas nem sempre entendidos.

“Coelho” é um termo retirado das corridas de cães, nas quais um mecanismo faz um boneco com a aparência de um coelho disparar na frente, para que seja perseguido pelos competidores de quatro patas. Este é um dos vários termos criados para facilitar a comunicação no mundo dos rallys, esporte extremamente especializado e técnico. A terminologia coleciona ainda outras analogias, como “costela” e “facão”. Há também vocábulos cuja origem se perdeu no tempo, como “cureca”.

Outras terminologias derivam das abreviações encontradas nos livros de bordo (com indicações que ajudam os navegadores a indicar o caminho e a prevenir os pilotos de perigos, ou curecas, à frente). É o caso de DEPS, vocábulo que corresponde a uma “depressão de poças secas” (formadas pela água das chuvas que secou e modificou o formato do piso).

Confira a seguir alguns termos do jargão cotidiano e do livro de bordo, que são utilizados no mundo dos rallys:

  • Coelho: designa o membro da equipe que sai com 3 dias de antecedência (no caso do Sertões) para checar possíveis imprevistos e mudanças no roteiro, como uma ponte caída, uma nova cerca ou buraco de grandes dimensões;
  • Concentração: local nas cidades onde o rally “estaciona”, depois da especial daquele dia;
  • Costela: pequenas irregularidades no piso ou mini lombadas que, quando o carro passa em alta velocidade, dão a sensação de se estar trafegando por “costelas” gigantes;
  • Cureca: é a palavra para perigo. Possui graduação, indicada nos livros de bordo, que vai de 1 a 3 curecas. Antes, a graduação era indicada por caveiras (de 1 a 3), mas atualmente usam-se pontos de exclamação;
  • Deslocamentos: trechos do rally entre uma especial e outra;
  • DEPS: indica “depressão de poças secas”, resultado da ação da água da chuva em piso de terra que, quando seca, deixa deformidades no piso;
  • Especial: trecho de alta velocidade, cronometrado, ou partes do roteiro onde a corrida é realmente disputada;
  • E3: simbologia usada internacionalmente nos rallys para indicar um estreitamento de pista;
  • Facão: sulcos no solo formados pela passagem de diversos veículos, que acabam influenciando o rendimento dos competidores que vierem depois naquele trecho. São chamados facões tanto os sulcos quando a porção de terra saliente, que se acumula entre eles;
  • Forfetar: após o prazo máximo de chegada para dado veículo em determinado dia, há um período no qual o competidor deve entregar seu cartão de controle de horário. Universalmente, este prazo é de 30 minutos. Se perder o prazo, o veículo “forfetou”, ou seja, será penalizado com a perda do resultado conquistado naquele dia e cairá muitas colocações;
  • Levantamento: determinação do roteiro do rally, realizado ao longo de meses de trabalho por uma equipe especializada da organização;
  • Lombas: lombadas grandes que podem causar saltos violentos e quebra de elementos da suspensão;
  • Quebradeira: trecho formado por piso com muitas pedras e buracos, geralmente em descida;
  • Piçarra: tipo de solo formado pela mistura de fragmentos de rocha, areia e outros, mas que conserva, ainda vestígios da textura original da rocha. Também chamado de tapururuca;
  • Prime: disputa tipo ponto a ponto (sem formação de circuito) em alta velocidade. Muitas vezes é apenas uma exibição promocional;
  • Prólogo: prova preliminar, em um trecho de poucos quilômetros, que define a ordem de largada para a primeira especial. Cada competidor tem o cronômetro “zerado” em cada largada e o que vale é o tempo que ele usou para percorrer aquele trecho até o final. O objetivo é determinar quais são os competidores mais rápidos de forma que nas especiais eles não sejam atrapalhados pelos mais lentos, já que a ultrapassagem em trilhas estreitas é difícil. A ordem de largada das demais especiais geralmente é definida pela ordem de chegada da especial anterior;
  • Sentinel: sistema que sinaliza eletronicamente ao carro da frente que há um bólido mais rápido solicitando ultrapassagem. O dispositivo aciona uma luz no painel e um alarme sonoro. É usado geralmente em trechos poeirentos e de pouca visibilidade;
  • Spy: equipamento que indica infrações, como excesso de velocidade em zonas de radar. Fornece dados sobre o percurso e indicações do comportamento do veículo naquele dia;
  • Super prime: disputa em alta velocidade em circuito fechado (tipo um autódromo de terra), no qual os obstáculos são produzidos artificialmente (por trator, como morretes, depressões, curvas de raios variados). Os tempos de volta de cada veículo no super prime pode ser utilizado para definir a ordem de largada para a primeira especial da prova. Utilizado também para fins promocionais;
  • Zona de radar: área de velocidade controlada através do Spy, geralmente em vilarejos e trechos perigosos;
  • Way point: coordenada geográfica para utilização no GPS. Indica pontos da rota a ser empregada pelo competidor.
Livro de bordo
Símbolo Significado
! Cureca (perigo).
!! Dupla cureca.
!!! Tripla cureca (risco elevado, baixar a velocidade ao mínimo).
D Indica trecho de deslocamento, ou trechos do rally entre uma especial e outra.
DEPS Depressões de poça seca.
EROS Erosão.
FZR Fim de zona de radar.
ITE Início do trecho especial (cronometrado).
IZR Início de zona de radar (velocidade controlada).
LAPE Laje de pedra (piso de pedra onde o veículo irá trafegar).
LBD Lombada dupla.
MB Mata burro.
MBVCL Mata burro com vão central longitudinal.
PTVCL Ponte de toras com vão central longitudinal.
R-30 Radar 30 km/h.
V Vila.